a música do ano de 2009
A música é de 1973. O compositor é tido como brega, e recentemente foi vítima de uma reportagem engraçadinha da Globo.
A banda que ressucitou a música é conhecida por ter fãs toscos (desculpas aos meus amigos que gostam), e eu sinceramente nunca curti muito, apesar de já ter ouvido que os imito na maneir de vestir, no meu cabelo e barba.
Eu não conseguirei responder se alguém perguntar como aconteceu minha relação com esta canção triste. Sei apenas que é minha canção em 2009, e espero que não seja em 2010.
à palo seco.
abaixo o poema de mesmo nome de 1960, de um dos meus preferidos, João Cabral de Melo Neto:
Se diz a palo seco
o cante sem guitarra;
o cante sem; o cante;
o cante sem mais nada;
se diz a palo seco
a esse cante despido:
ao cante que se canta
sob o silêncio a pino.
O cante a palo seco
é o cante mais só:
é cantar num deserto
devassado de sol;
é o mesmo que cantar
num deserto sem sombra
em que a voz só dispõe
do que ela mesma ponha.
A palo seco existem
situações e objetos:
Graciliano Ramos,
desenho de arquiteto,
as paredes caiadas,
a elegância dos pregos,
a cidade de Córdoba,
o arame dos insetos.
Eis uns poucos exemplos
de ser a palo seco,
dos quais se retirar
higiene ou conselho:
não de aceitar o seco
por resignadamente,
mas de empregar o seco
porque é mais contundente.
1 Comentário »
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Hehe!
eu sou meio suspeito pra falar disso: sou um dos amigos que têm de lhe desculpar, já que sou fã incondicional dos extintos barbudos; e tenho uma relação afetiva com essa música também.
Quando eu tinha 19 anos, a gravei substituindo o “25 anos” por “19 anos”, pela coincidência das sílabas. Dizia aos ouvintes que eu só teria oportunidade semelhante quando completasse 24 anos (quando as sílabas voltam a coincidir), e que com 25 seria meu ápice: cantaria essa música em qualquer rodinha de violão.
Talvez por tudo isso, a mim ela não soe tão triste assim.
Um ótimo ano, meu caro!
Abraços