Saber, Saber e Saber
Não sei o porquê da maioria das coisas. Creio com muita fragilidade na Verdade que outrora guiou minha vida, e me manteve em pé no nosso chão.
Agora no fim de 2009, faço o inevitável balanço das minhas últimas décadas de vida e um tremor percorre minha espinha: não bati a maioria das minhas metas de vida. Não construí um patrimônio, não enterrei todos os meus mortos, não doutrinei meus fantasmas. E o pior de tudo: não acumulei erudição o suficiente. Não li muitos livros essenciais, não tive muitas experiências de vida que me levariam a um conhecimento que superasse as limitações da nossa Zona Leste.
Meus conhecimentos em idiomas estrangeiros é superficial, não ultrapassa a habilidade da leitura, espero que isso mude até a conclusão dos meus trabalhos de mestrado com os meus amigos jesuítas, esses sim “savants”.
Mas sabem o que eu queria ter?
SABEDORIA, muito mais do que sagacidade ou todo esse conhecimento. Se tivéssemos essa ,seriamos felizes. Não entraríamos em enroscos que não sabemos lidar, não nos entregaríamos a qualquer devaneio, não teríamos o desgaste das lutas inglórias.
Vocês já conversaram com um sábio? Geralmente eles são idosos. Não estou falando de velhos rabugentos, vencidos pela amargura: geralmente esses são os vencidos. Eles cultivaram rancor a vida inteira e agora colhem os frutos podres.
Gosto de conversar com um amigo mais velho que eu. Ele fala de coisas que não aprendeu nas três faculdades que cursou, nem leu nos idiomas que domina. Aprendeu com a mãe, no seu trabalho de juventude, na tortura do ônibus lotado e no seu trabalho com os pobres. Teve a percepção aguçada para coisas boas, desprezou as ruins.
O que mais gosto nessa Sabedoria é o poder que ela dá de aceitar a realidade afastando a tentação do conformismo. Aceitação e conformismo, como contrabalancear?
Apesar de parecer, esse não é um texto de lamentações. É um esboço de ambições e uma sugestão de um caminho a ser seguido.
Será que conseguimos?
2 Comentários »
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Com toda a certeza! Afinal, se eles conseguem, por que não nós? Acho que tudo depende de uma série de fatores, como a paciência (muitas vezes aprendemos com o tempo e as pancadas que a vida nos dá), a arte de sabermos aproveitar nossos dias e a intensidade da força de vontade, que sei que todos temos. Discordo quanto à sua erudição que, como já disse, me surpreende! Mas, se realmente pensa assim, lembre-se de que nunca é tarde demais para aprender (afinal, quem sou eu pra falar alguma coisa?!).
Parabéns novamente pelos incríveis textos que fazem pensar!
Pois é… Acho que o comentário acima já diz tudo… Mas, sei lá, cultive a paciência, tente controlar essa auto crítica ácida, aceite as coisas que você não pode mudar e mude tudo dentro de você que não te agrada. Vença o medo, a vida não tem sentido se a tememos…
Beijos