O dia em que perdoei o BESOURO.

Num domingo mal escrito, como tantos outros, saí de casa de chinelo e cabelo despenteado coloquei umas pedras no bolso e fui assistir o tal “Besouro”, filme muito esperado, que eu tinha firme propósito de odiar. Me dei mal.
Na verdade eu fui bem trouxa. A única crítica negativa ao filme que eu li foi da Revista Veja. E se a Veja não gosta de algo, obviamente a coisa é boa. E que filme.
Um show de artes marciais? “Tigre e o Dragão” brasileiro? Não, mais do que isso.
O filme tem cheiro, tem gosto. Dá para sentir o calor do recôncavo baiano, das caldeiras do engenho, ou da talagada de cachaça. Podemos sentir o frescor da mata, o alívio do banho de rio. Mas também, horrível admitir, sentir a presença dos orixás, essas entidades pouco compreendidas da cultura afro-brasileira, inquietantes e fortes.
Claro que o meu lado historiador chato não gostou muito de certas forçadas de barra do filme. Passaríamos bem se no final não subissem aquelas letrinhas querendo nos convencer que a legalização e tolerância à capoeira foram apenas devido a resistência dos negros. Evidente que não, e é irônico pensar que em trecho do filme, tal qual na sociedade brasileira, a arte/luta foi estrategicamente tolerada pela classe dominante…
De qualquer forma fica a dica para os que lêem, como também a torcida pelo sucesso de bilheteria do filme. Espero que seja o primeiro de uma safra de filmes do gênero, mas cruzo os dedos para que não assistamos algo parecido com os “favela-movie” ou “cadeia-movie” que tanto nos aporrinham.
3 Comentários »
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Que bom que encontrou um bom filme dentre os milhares de imprestáveis (oh, céus, pareço a minha avó falando)! Como sabe, sou muito fraca para filmes, coisa que venho tentando mudar, mas sempre prezo suas dicas e esse já está na minha lista, não importa a classificação indicativa! rs
Continue vendo bons filmes e postando sua opinião!
Bjos!
E ai Professor! Já to com saudades..{ OO’
Aqui está falando uma mini fã..de seu blog {nossa quando a pessoa não tem o que falar..¬¬’} eu sempre estou aqui e dou uma lida em seu blog ,e vejo se vc publicou outras coisa, mas to vendo que ainda não …estou esperando mais uma das suas dicas de filmes ..{E um dos meus vários motivos para vir aqui}
Espero que algum dia agente se vê! ‘de novo’..se o ‘senhor’ ainda der aula lá no cursinho claro, dar uma visitadinha..
Então um abraço de uma aluna que admira muito vc ..
Giovanna
Meu caro amigo, fui conferir Besouro em 19/11, mas apenas agora li seu post (e os outros 2 anteriores tb). E aqui vai minha forma (resumida) de concordar com sua opinião (e assim, mais uma vez ratificar a ação da Força):
- Esteticamente maravilhoso: fotografia, direção de arte, efeitos visuais que enriquecem a narrativa;
- Roteiro, de fato, muito simples (a vingança pelas próprias mãos);
- Porém aqui está a diferença (positiva) tb notada por mim: não se trata apenas de um filme de luta. Lá está a cultura afro aderida por milhões no país, e respirada sobremaneira na região onde a história ocorre, retratada de forma respeitosa e rara;
- Belas sequências que fazem-me perdoar a falta de preparo de parte dos atores (escolhidos conforme habilidades marciais; portanto, não-atores, na verdade), mas que foram guiados pelos orixás…
Um abraço,
e aguardo postagem a respeito de “Los Abrazos Rotos” (cuja minha opinião resguardo para qdo postar sobre o filme..)