O dia em que perdoei o BESOURO.

Num domingo mal escrito, como tantos outros, saí de casa de chinelo e cabelo despenteado coloquei umas pedras no bolso e fui assistir o tal “Besouro”, filme muito esperado, que eu tinha firme propósito de odiar. Me dei mal.
Na verdade eu fui bem trouxa. A única crítica negativa ao filme que eu li foi da Revista Veja. E se a Veja não gosta de algo, obviamente a coisa é boa. E que filme.
Um show de artes marciais? “Tigre e o Dragão” brasileiro? Não, mais do que isso.
O filme tem cheiro, tem gosto. Dá para sentir o calor do recôncavo baiano, das caldeiras do engenho, ou da talagada de cachaça. Podemos sentir o frescor da mata, o alívio do banho de rio. Mas também, horrível admitir, sentir a presença dos orixás, essas entidades pouco compreendidas da cultura afro-brasileira, inquietantes e fortes.
Claro que o meu lado historiador chato não gostou muito de certas forçadas de barra do filme. Passaríamos bem se no final não subissem aquelas letrinhas querendo nos convencer que a legalização e tolerância à capoeira foram apenas devido a resistência dos negros. Evidente que não, e é irônico pensar que em trecho do filme, tal qual na sociedade brasileira, a arte/luta foi estrategicamente tolerada pela classe dominante…
De qualquer forma fica a dica para os que lêem, como também a torcida pelo sucesso de bilheteria do filme. Espero que seja o primeiro de uma safra de filmes do gênero, mas cruzo os dedos para que não assistamos algo parecido com os “favela-movie” ou “cadeia-movie” que tanto nos aporrinham.
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