Qualquerdiamalescrito’s Blog

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O dia em que perdoei o BESOURO.

besouro

Num domingo mal escrito, como tantos outros, saí de casa  de chinelo e cabelo despenteado coloquei umas pedras no bolso e fui assistir o tal “Besouro”, filme muito esperado, que eu tinha firme propósito de odiar. Me dei mal.

Na verdade eu fui bem trouxa. A única crítica negativa ao filme que eu li foi da Revista Veja. E se a Veja não gosta de algo, obviamente a coisa é boa. E que filme.

Um show de artes marciais? “Tigre e o Dragão” brasileiro? Não, mais do que isso.

O filme tem cheiro, tem gosto. Dá para sentir o calor do recôncavo baiano, das caldeiras do engenho, ou da talagada de cachaça. Podemos sentir o frescor da mata, o alívio do banho de rio. Mas também, horrível admitir, sentir a presença dos orixás, essas entidades pouco compreendidas da cultura afro-brasileira, inquietantes e fortes.

Claro que o meu lado historiador chato não gostou muito de certas forçadas de barra do filme. Passaríamos bem se no final não subissem aquelas letrinhas querendo nos convencer que a legalização e tolerância à capoeira foram apenas devido a resistência dos negros. Evidente que não, e é irônico pensar que em trecho do filme, tal qual na sociedade brasileira, a arte/luta foi estrategicamente tolerada pela classe dominante…

De qualquer forma fica a dica para os que lêem, como também a torcida pelo sucesso de bilheteria do filme. Espero que seja o primeiro de uma safra de filmes do gênero, mas cruzo os dedos para que não assistamos algo parecido com os “favela-movie” ou  “cadeia-movie”  que tanto nos aporrinham.

 

Novembro 4, 2009 Publicado por qualquerdiamalescrito | Uncategorized | | 1 Comentário

Sobre o “uso” da História: Bastardos Inglórios

ibOntem, com ótima companhia, fui ver o filme mais esperado por mim e pelo meu círculo de amigos:   “Bastardos Inglórios”, e vi como o Tarantino usou a História, como os canalhas usam as mulheres inocentes. E o pior: foi ótimo.

Tenho certeza que as pessoas que me conhecem vão estranhar essa minha opinião. Em mais de uma ocasião malhei filmes históricos pela sua falta de compromisso com as pesquisas históricas (vide meu ódio pelo filme “300”, já esquecido pelos seus defensores-fãs da época, mas ainda lembrando pelos seus detratores pelo péssimo filme que foi). Mas desta vez é diferente. Tudo em filmes do Tarantino é diferente. A violência gratuita é usada de maneira magistral. O sangue tão descaradamente “catchup” nos faz pensar na gratuidade da brutalidade humana. Os bons atores que atuam no filme são magistralmente conduzidos. Fiquei espantado pelo bom trabalho que fez com  Brad Pitt (atualmente na lista dos meus atores preferidos), levando-o a fazer “papel-de-ator-ruim”, dentro das propostas do filme e foi perfeito. Só não foi o grande nome do filme porque Cristoph Waltz arrebentou logo na primeira cena, e só parou na última.

Não dá para encerrar esse pequeno comentário sem chamar atenção para o Hitler do pastiche de Tarantino, que me fez lembrar o de Chaplin: cômico, afetado e perturbado, muito mais para vilão de HQ dos anos 60 que para ditador. Perfeito.

Enfim, recomendo o filme para pessoas que apreciam o cinema e para os que gostam de história, que tenho certeza que perceberão que por trás daquilo tudo tem alguém que entende do assunto, e por isso o manipulou como bem quis. Não recomendo o filme para estudantes de História, já que não é um filme didático (ok, eu assumo , coloquei isso aqui só para que vocês se sintam tentados, ó alunos). E aviso que não é filme para os politicamente corretos e pseudointelectuais. Azar o deles. Que fiquem em casa decorando o dicionário…

Outubro 12, 2009 Publicado por qualquerdiamalescrito | Uncategorized | | 2 Comentários

Dias mal escritos num texto mal escrito.

labirinto

Só para registrar:

1)      Os dias passam estranhos. Um atrás do outro. Um rosário, em que os mistérios da nossa vida são apenas citados, não meditados. Junto com esses dias as pessoas também se vão, deixando algum rastro. Ou não.

2)      Gente amiga, no passado partilhou uma série de coisas com você, acaba por se transformar num email de tres linhas ou uma janelinha piscante do MSN, e você não faz questão de responder. Palavras mal ditas, conversas tortas, ou apenas a rotina do trabalho? Não sei se convém ficar cavando para achar a raiz do problema. Perde-se muito tempo com isso e a vida continua, as bolinhas do rosário não param de ser contadas, e você não pode pedir para parar. Vertiginoso.

3)      Há também as pessoas que você não pode se desvencilhar. Tem que permanecer junto enquanto os problemas não param de pipocar. Não quero ficar classificando as pessoas em “boazinhas” e “mazinhas”, só que às vezes, por amar as pessoas, você tem que ficar, ao menos de cabeça e coração, longe, ou como diria um amigo meu, “entrar em alfa”. Isso requer treino, mas confesso que ando levando isso a sério, me dedicando em aprender. Está rolando.

4)      E quando as pessoas acham que, de maneira racional, podem te convencer a aceitar a vida como ela é, e que o problema está no seu jeito de ser e que seus questionamentos, incômodos e ânsias não passam de melindres? Tudo é bom, é normal a ironia, a falsidade e a humilhação…”Todos têm defeitos”… Mas tem coisas que é difícil ouvir e ficar quieto…

5)      Para terminar, gostaria mesmo é de dizer que nos dias mal escritos, também há espaço para momentos muito felizes. São raros, mas existem. Nas entrelinhas emergem umas coisas que valem a pena ser levadas em conta. Não dá para dizer que não estão lá, que se trata de “superinterpretação”. E surgem do nada, sem pedir licença, impondo sua presença, para lembrar que os dias têm de ter algum sentido. Se não tiver, que inventemos!

Tudo isso é sinal que os dias mal escritos têm erros de ortografia, são politicamente incorretos, mas no final das contas são dias para serem bem vividos, sem medos ou qualquer outra bobagem. É só prestar bem atenção.

Outubro 3, 2009 Publicado por qualquerdiamalescrito | Uncategorized | | 1 Comentário

Eles estão chegando…

O bicho vai pegar. A terr2a vai tremer. A cobra vai fumar. E todos os chavões do gênero… E eu vou estar lá.

Sei que alguns dos 6 ou 7 que lêem isso vão ficar, no alto de sua “inteligência”, achincalhando esse post. Mas é o AC/DC, e eu não quero me justificar.

Lembro bem que quando era mais novo, tentava rotular as bandas, na tentativa talvez de deixar meu nascente amor pelo Rock mais sério. E quanto mais eu perdia tempo com essa bobagem, mais eu me deparava com o fato de que o  AC/DC, a minha banda preferida, não se encaixava em nenhum rótulo, tal como eu também não sabia o que eu tinha que ser e fazer no mundo insano em que vivemos…

Hoje eu posso afirmar que os rapazes são é ROCK. Escrito assim, com maiúsculas, falado com a força e paixão dos “garotos-de-14-anos-com-camisa-de-banda” e com a experiência e a convicção dos “tiozões roquenrol”, que estarão ao meu lado no dia 27 de novembro.

A banda australiana fez algo que poucos fizeram: de certa maneira conseguiram isolar o “princípio ativo do rock” em suas melodias, letras e atitudes. Com uma simplicidade incrível, conseguem agradar os ouvidos de todos. Já vi “hardcores” e “metaleiros” discutirem sobre divergência musicais por horas, até que eu citei o AC/DC, e tudo virou concórdia. Para não dizerem que sou um saudosista doentio, me sinto feliz em ver atualmente, na noite “muderrna” paulistana celebrada pela Folha de São Paulo as camisas da “banda do trovãozinho” pululando.  E é isso aí, de Led Slay a Vegas, passando pela DJ Club, eles são de todos!

Companhia para o show não vai faltar. Milhares de contagiados pela “High Voltage” tomarão as estradas rumo ao estádio, mais precisamente 65 mil pessoas.  Bons amigos já se alistaram nessa empreitada, como também tenho recebido emails e ligações de pessoas que se lamentam por não poderem ir. Alguns alunos, que descobriram a banda via jogos como o “guitar hero”, querem ir também, e como eu em 1996, não conseguirão. Mas espero que eles entendam que essa scoisas são feitas também de decepções e a hora chegará…

Tal qual uma mesa de sacrifício, levarei até aquele palco muitas coisas do meu passado na cabeça e coração. Minhas noites em que, com o quarto escuro ouvia um CD da banda por noite, em ordem cronológica, e como foi difícil comprar TODOS (sim, foi uma indireta para meus amigos/alunos que reclamam para baixar a discografia zipada na net). Levarei aquela manha, em que eu e meus amigos hasteamos uma bandeira do AC/DC no enferrujado mastro do Aprígio Gonzaga, que eu achava a escola mais roqueira de São Paulo. Não esquecerei as camisas, todas as nove, que já tive deles.

Também levarei as pessoas que já ouviram AC/DC comigo e não estão mais por aí, de maneira especial meu tio, que me disse aos 13 anos: “cara, você tem que ouvir música de homem, tome esses CDs”. Naquele dia eu ouvi o LIVE, de 92, o disco da banda do vocalista que parecia um caminhoneiro, com um guitarrista que usava terno e calção…Foi um longo caminho, uma HIGHWAY TO HELL, em que paradoxalmente, encontrei uma caminho de salvação. Vícios que mais se parecem com virtudes.

Só me resta agora esperar para ver o show da melhor banda de rock do mundo. E saber que as duas horas de show serão como uma síntese de diversos momentos felizes da minha vida. Terei a honra de estar lá e ouvir do próprio Brian Johnson: FOR THOSE ABOUT TO ROCK…………..WE SALUTE YOU!

Você que leu e não sabe o que é ouça. Você que sabe o que é, até o show!

Setembro 22, 2009 Publicado por qualquerdiamalescrito | Uncategorized | | 4 Comentários

passado, presente e futuro

foto1

Eu trabalho com representações do passado, mas nunca penso no meu. Eis um bom momento.

Eu nem sei qual é a minha primeira lembrança na vida.  Com esforço lembro de quando eu brincava com uns bonequinhos de plástico dos heróis marvel que minha tia me deu, na “casa da Penha”, na Comendador Cantinho, perto do colégio Santos Dumont. Lembro de meu pai respondendo tudo o que eu perguntava com a cabeça, acenando um sim ou não, visivelmente entediado. Lembro da minha mãe e minha vó preocupadas com os afazeres de casa, mas sempre ligadas no que eu estava aprontando junto com minha irmã, minha melhor amiga na infância. Lembro de meu tio, que para mim era algo destacado da rotina dos dias, um arauto das novidades do mundo, um cara que fazia o mundo se render ao seu modo ágil de viver.

E é claro, lembro do meu avô. E peço desculpas aos outros membros da família, mas é dele que quero falar.

Religiosamente ele chegava do trabalho e eu o esperava. Vinha sorrindo, e é incrível como era duro com o mundo e gentil comigo. Falava das coisas para mim, me mostrava lá, tudo o que tinha numa gaveta perto da cama. Uns documentos, uns papéis, e eu nunca entendia. O interessante é que de certa forma ele era craque em algo quase impossível nos mundos de hoje: a arte de impor o respeito sem a companhia do medo. Poucas vezes me deu uma bronca. Mas lembro de todas elas.

A influência dele na minha vida é incalculável. O auxilio de sua presença, não apenas material, mas também afetiva (do jeito dele), geralmente foi a única coisa que pude contar nos piores momentos da minha vida. Sua simplicidade e astúcia para levar adiante as coisas difíceis é incrível. Adoro vê-lo mostrando sua habilidade na vida, seja quando ele revive seus tempos de agricultor na sua plantaçãozinha em plena cidade de São Paulo, que traz a minha recordação a música “cio da terra”, cantada por Milton Nascimento, ou quando  imerso no espírito da  metrópole, se isenta de qualquer prazer e trabalha no comércio popular do Brás.

Esse velho amigo é autor de frases impagáveis. Lembro que quando o Lula ganhou a eleição em 2002, disse: “Ainda bem que vou morrer logo, porque o Brasil com um cara desse corre perigo de acabar ou virar uma nova Cuba”. Quando apareceram os escândalos do mensalão, lembro da sua cara de alegria e da frase (exaustivamente) repetida: “Não te falei que esse cara era um cachorro? E depois ainda falam mal do Maluf”.

No futebol, seus grandes ódios são perceptíveis, e a lista é grande: Luxemburgo, Pelé, Romário, Adriano, Dualib… … Do Ronaldo Fenômeno, misteriosamente parou de falar.

Nem só de ódio vive esse grande homem: ele também tem os seus “heróis”. O já citado Maluf é um deles. Eu já malhei muito os malufistas, mas quando lembro que meu vô é um deles,  minha consciência pesa.

No esporte, para contrabalancear ele tem muitos mitos: Rivelino (o rei do parque são jorge), Biro Biro, Socrates,  Marcelinho Carioca, TODO o time de 77… e o Maradona…rs

Ele tem frases impagáveis, que meus amigos se cansam de me ver citar. Outras, herdou de seu pai.  Sobre meu bisavô, comenta: “Tem gente que fala que ele era bravo, bruto, mas ele gostava era das coisas certinhas. Se você andasse certo estava tudo bem”.  Sei que vou falar isso de outra pessoa para meu neto………

Que fique claro que esse texto não é homenagem a um santo. Ele fez muitas coisas erradas durante a vida, e fará muitas mais. Mas não posso condená-lo, da mesma maneira que não posso incentivá-lo. Ao escrever esse texto eu só sigo o conselho de um grande amigo contador de historinhas (que também merecerá um post deste blog em breve), que sempre diz que tirando as coisas ruins, o resto está tudo bom! Só me resta a esperança que as coisas ruins que venhamos a fazer um ao outro possam ser reciprocamente perdoadas.

PS1: Na foto, eu e meu avô pasqual em 1985. Percebam como o homem sempre  me deu boas orientações: na parte que a foto não retrata, a tv transmitia o timão..rsrs

PS2: É claro que eu, como homem com H que sou, nunca faria um texto desse se soubesse da possibilidade de meu avô ler… A masculinidade pode ser tosca….

Ps3: a motivação para escrever tudo isso saiu de um Post do Blog de um amigo que está distante, mas nunca esquecido, chamado Noubar Sarkissian, que com um talento muito maior que o meu, falou sobre sua vó.

Julho 20, 2009 Publicado por qualquerdiamalescrito | Uncategorized | | 6 Comentários

Um homem diluído

 

 

 

keep-moonwalkingCom o atraso que me é característico, escrevo hoje sobre Michael Jackson e todo o estardalhaço que acompanhou sua morte.
Não falarei sobre a tristeza da morte, porque ela é o fim último de qualquer existência, inclusive de pessoas-produto, como foi o caso de Michael, e a humanidade já se debruçou demais sobre esse problema, com preocupação, relativizando sua gravidade ou simplesmente ignorando-o.
Quero aqui tentar falar sobre aspectos do Rei do Pop, (não dá para negar que o título lhe pertenceu, e não estou aqui fazendo juízo de valor) que a mídia insiste em ignorar ao aplicar na figura dançante do nosso finado um verniz imortalizante, quase hagiográfico.
Inegavelmente o rapaz jogou um jogo perigoso e no início se deu bem. Ele se fez produto, tal qual em seu clipe “remember the time”, em que se tornou pó. É claro que as postagens venenosas de alguns leitores choverão por aqui me chamando de insensível, mas pensem comigo nessas características do mito :

1) Um artista sem cor: sim leitores, eu sei, ele era doente, etc. Mas peço que vejam o artista em “Thriller”: a suavização de características de sua etnia já estão presentes. Assim ele conquistou uma boa parcela de compradoresbrancos de discos, sem dúvida.
2) Um andrógino: sim, isso é inegável. A androginia de Michael era bem diferente da de David Bowie ou de outros dos anos 70. Era uma androginia não agressiva, boa para consumo, já que homens e mulheres poderiam buscar identificação sem culpa nenhuma.
3) Um sem idade: sim, sem idade. Essa foi a grande sacada e a grande fraqueza de Michael. Ao tentar viver um presente contínuo, ligou sua idade à das crianças, algo que muito LEMBRA, no Brasil, a construção da imagem de Xuxa. O problema é que logo vieram as acusações de pedofilia, que eu sinceramente não sou propenso a acreditar. Enxergo sim uma tentativa da busca pela lucrativa imagem da juventude eterna, que tanto enriquece cirurgiões plásticos e infantiliza a nossa sociedade.
4) Um sem idéias: como não quero transformar meu blog num palanque político, não vou desenvolver muito esse argumento. Só peço que todos prestem atenção nas letras das músicas de Michael.

Esse era Michael Jackson. Um retrato de uma época vazia. Mas ele também foi Graça e desgraça. Multidões e solidão. Vida e morte, como todos nós.

PS: gostaria de agradecer a discreta ajuda dos meus alunos, a quem nunca cito, por sua atenção e olhares atentos de aprovação, que me deram coragem de postar sobre esse assunto.

Junho 30, 2009 Publicado por qualquerdiamalescrito | Uncategorized | , , | 4 Comentários

Eu sei como funciona!

“Eu sei como funciona…”

A frase que intitula este “post” é típica daqueles que por dominarem o funcionamento de algo, fecham discussões que geralmente costumam ameaçar a questionar o porquê do funcionamento de alguma máquina (seja no sentido dado pelo pensador Bruno Latour, que figurará neste blog em breve, ou não) ou uma ordem de coisas.

Vejamos o triste caso do capitalismo financeiro. Ele nos consome enquanto queremos consumir, desfigura as relações humanas pondo preço até em nossa fé ou o amor, nos tirando toda a esperança de uma felicidade simples e essencial. Apesar disso, ó meus cinco ou seis leitores, já tentaram questionar os meandros de nosso sistema em certas rodas de conversa? Tente, e verá que se te taxarem de ingênuo estarão sendo bonzinhos com você, já que o normal será te colocarem o rótulo de lunático ou o cara-chato-que-odeia-o-que-não-entende. Eu sei bem o que é isso, pois já banquei o Quixote lutando contra esses moinhos em muitas noites embaladas com boa música e na companhia de bons amigos.

Conhecimento é poder, já disseram muitos, e eu sinceramente não discordo disso. Mas e o “pseudoconhecimento” que é tão presente em nosso mundo? E essa arrogância dos que param sua reflexão sobre as coisas apenas em “como” elas funcionam e não ousam dar o passo seguinte, e nunca perguntam ”para quê(m)” funcionam? Esse jeito raso de encarar a realidade faz um sucesso fenomenal nesse mundo cheio de pseudoliberdade, que não torna as pessoas senhoras de si, mas apenas remove as amarras para o consumo quando é conveniente.

A frase irritante já citada, tão poderosa e vazia foi muito falada pelos homens que entendem das leis igualmente poderosas e da mesma forma ocas, ao se referirem aos tristes episódios ocorridos na Universidade de São Paulo, sem dúvida nenhuma a Instituição de Ensino Superior mais importante da História do Brasil, no último dia nove de junho. Esbravejaram  leis, pregaram a defesa de propriedade, ignorando a s pessoas que tentavam, talvez de maneira equivocada, defender o futuro do ensino do Brasil, falaram do direito de ir e vir que os piquetes na USP estavam cerceando, sem voltar o olhar ao descaso com que é tratado o transporte público precário e caro da cidade de São Paulo (que dois dias depois quebrou o próprio recorde de engarrafamento: 293 km), e chamaram de baderneiros e arruaceiros os que se refugiaram dentro da FFLCH, com medo da violência oficial. Duro também foi saber que esses fatos receberam a benção do tal Professor Felipe de Aquino, ligado a Canção Nova, que condena a Teologia da Libertação por “misturar” política e religião, mas não hesitou em publicar em seu blog, de conteúdo religioso, um texto apoiando as atitudes da Reitora, quando como católico que é, deveria condenar aquele show de violência.

Mas tudo bem. Só me resta ficar quieto, antes que alguém me mande um comentário defendendo o capitalismo financeiro, a pancadaria na USP, a existência de “imparcialidade” política ou qualquer outra barbaridade rotineira com algum argumento contendo, mesmo que de maneira implícita a nossa querida frase, pomposa e “útil” como a Rainha da Inglaterra: EU SEI COMO FUNCIONA!

P.S: com essa postagem quebrei duas promessas de blogueiro neófito: postei um texto relativamente grande e falei de política.. rsr
P.S: Fora Suely! Fora PM da USP!
junho2009-067

Junho 17, 2009 Publicado por qualquerdiamalescrito | Uncategorized | | 3 Comentários

CANDANGOS

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Uma força motriz que sente medo, fome e tristeza…

Assim são eles, assim somos nós.

Em uma conversa com amigos de faculdade, mais geográfica e menos histórica, já que agora estou atravessando as fronteiras dessas áreas do conhecimento, o tema era Brasília e os problemas na consagrada obra de Niemeyer. De maneira quase acidental veio à tona a existência deles, os candangos.

Eles (ou seus filhos) estão lá,  caindo do “avião” Brasília, sufocados em ônibus lotados e levando a pior na convivência com os filhos mimados da classe política que lá habita.  Ergueram a cidade, a Esplanada, a Asa Norte e a Sul. Não tinha onde enfiar tanta gente, tanta mão de obra. Sobraram.

Me transporto à linha vermelha do metrô de São Paulo, lá estamos nós, voltando aos bairros dormitórios, prato em que cuspimos sempre que o bom senso grita em nós.  Duro pensar que a paulicéia não é tão desvairada depois do Brás.  E  que tudo isto se alimenta de nós, num almoço requintado.

 

preciso indicar esse vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=K8PkzRWJ-MM

Maio 18, 2009 Publicado por qualquerdiamalescrito | Uncategorized | | 2 Comentários

Randy, Rocky e Ronaldo

RRRDedico esse “post” a todos que foram silenciados pelo Fenômeno, como eu fui.

 

Minha relação com o futebol, e quem me conhece sabe, não é a comum para padrões brasileiros. Odeio jogar bola. De maneira geral, não gosto de papos de boleiro e é espantoso ocupar meu blog com esse tema. Mas minha história com o Corinthians é especial, e meu texto está relacionado ao time do Santo guerreiro.

Acho que o meu torcer não difere muito da minha posição quando assisto a certos filmes ou do meu contato com certas formas de arte. Por isso, fico a vontade para comparar o Ronaldo do Corinthians (sim, acho que não é o mesmo Ronaldo da seleção) com dois homens da ficção: Rocky Balboa, o “Italian Stallion”, boxeador que enfrentou a vida sem desistir em nada menos que seis filmes, e Randy “the ram”, lutador de wrestling, homem de vida conturbada, que conheceu cumes e abismos, personagem do  grande filme “O Lutador”.

Três homens que adoram a vitória, cada um à sua maneira: na “marmelada” wrestling ou na injustiça do boxe, ou na marmelada e na injustiça no futebol. E eles, como todos os seres humanos em certa etapa da vida, conheceram aquela triste idade em que se é velho para sua profissão. Nessa hora, a dúvida, um dos maiores fardos dos racionais, os assalta: quando é hora de parar? E o trio aqui citado não hesitou em afirmar que sempre há possibilidade para mais uma luta.

Entre Randy e Rocky, uma grande diferença: enquanto Randy se entrega a um destino fatídico se consumindo na encenação entre as linhas do ringue (e também fora delas), Rocky renova seu viver ao aceitar participar de uma luta após anos de afastamento, e desafiando a lógica, se mantém em pé no ringue, seu palco.

E Ronaldo?

Quanto ao Fenômeno, o Brasil e o mundo sabem: ele saiu da condição de Randy, decadente e de vida pessoal que beirava a comédia, e alçou vôo para a condição de Rocky Balboa do futebol: imbatível, resistente e, dentro das linhas de cal, inteligente. Não há dúvida que ele conheceu a tristeza ao ver seus joelhos arrebentados, ou a ser flagrado com a barriga saliente e cerveja na mão em fotos, ou pior, no episódio da armação dos travestis. Por outro lado, a alegria e a vitória chegaram: ele é o astro do Corinthians, o time da Fiel, ocupando um lugar que até o tal Pelé quis ter e não teve. Só me resta desejar ainda mais vitórias para ele, Randy/Rocky/Ronaldo.

 

E é isso. Ronaldo, sei que você nunca saberá da minha existência, mas sim, este texto é um pedido de perdão por minha dúvida quanto a seu talento. Agora você é Herói da Fiel. Só te peço que negue a convocação da seleção, caso ela ocorra. Você já tem o Corinthians, não precisa de outra nação.

Maio 10, 2009 Publicado por qualquerdiamalescrito | Uncategorized | | 4 Comentários

“Bartleby, o escriturário” de Herman Melville

“Prefiro não fazer.”
Essa é a grande frase do livro, e não há nada melhor do que responder a todos que me cobraram um blog indicando a leitura deste curto, mas intrigante livro.
Bartleby, um escriturário na emergente Wall Street do século XIX (favor não fazer analogias com o que é receber este adjetivo nos dias atuais) é um aterrador retrato de nossas procrastinações e desistências cotidianas, o que Freud, bem antes dos livrecos de auto-ajuda inventarem qualquer outro adjetivo, chamou de Pulsão Negativa.
Essa força estranha que nos impele, na visão deste pobre neófito da blogosfera,  é alimentada pelo velho medo de ver nossas limitações impressas em nossas criações, sejam elas pequenas atividades cotidianas ou grandes feitos, ou na produção de um texto para um Blog.
É ela que faz o jogador de Futebol hesitar na hora do chute salvador, ou interpõe barreiras veladoras entre apaixonados que sonham com romances.  Meus caros, não é algo fácil.
As questões que coloco para todas as poucas pessoas que lerem este blog e que podem ser guia de leitura para as pouquíssimas que lerão a obra motivados por este “post”  é: como condenar Barteby? E o pior, como não nos enxergarmos, completamente irracionais, desafiando qualquer pretensão Iluminista (oba, falei mal deles..rsrrs) nesta máxima irritante deste mundo voltado contra o homem, entoada na célebre rua do poder embriagador do capitalismo tantas vezes por noss anti-herói: PREFERERIA NÃO FAZER?

Abril 25, 2009 Publicado por qualquerdiamalescrito | Uncategorized | | 4 Comentários